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ENTREVISTA EXCLUSIVA DO MICK FANNING PARA A RED BULL
   

 

Primeiramente, meus parabéns pelo Segundo Título Mundial.

Estou me sentindo muito emocionado. Eu ganhei o meu primeiro título em 2007, mas nunca tinha parado para imaginar como seria ganha-lo pela segunda vez.

Pensei que fosse estar mais preparado para isso, mas me enganei.

Até então para mim o momento estava incrível e favorável para Joel Parkison na corrida pelo título, mas quando vi tudo indo pelos ares, ao mesmo tempo fique bastante chateado.

Acabou sendo para mim uma pressão psicológica muito grande, tentei manter a postura e foco nesse momento.

Os últimos dois meses de 2009 as etapas foram realmente sangrentas para mim, uma batalha após a outra.

Eu não conseguia acreditar que tudo tinha acabado e o troféu estava na minha mão.

Como foi estar fora no mar, em Pipeline, com o Joel Parkison vendo um sonho desabar e o seu segundo título Mundial virar realidade?

(Joel precisava ir para a semi-final do Billabong Pipeline Masters para brigar pelo Título Mundial , mas foi derrotado por havaiano convidado, Gavin Gillette, no 3º round, consagrando Mick campeão Mundial de 2009)

Eu tinha uma mistura de sentimentos dentro de mim.

Sem dúvida estava muito feliz e animado com o título, pois tive que batalhar muito para conseguir concretizar essa vitória.

Quando Joel perdeu senti muito por ele. Ele é um ótimo amigo, todos sabem disso, e ambos estarem disputando o mesmo título em Pipeline realmente é algo surreal.

A verdade é que todos sabem que no final disso tudo um de nós levantaria a taça de campeão mundial e o outro ficaria realmente decepcionado e triste. Era um desfecho guardado para um dos dois.

Mas independente de quem fosse o campeão, eu ou ele, no fundo ficaríamos felizes com o vitorioso.

Foi muito gratificante ver Joel remando na minha direção após anunciarem o meu Título Mundial.

Parko teve um ano incrível. Se não fosse a tal lesão sofrida por ele no meio do ano, minhas chances de dar essa grande virada poderiam não ter se concretizado.

Uma coisa é certa, sei que ele estará de volta em 2010.

Depois de ganhar seu Título Mundial você teve que surfar as oitavas de final contra seu outro grande amigo Dean Morrison. ...

Foi muito especial ter essa corrida pelo título com o Joel e estar com ele dentro d´água quando conquistei o Mundial, mas ter o Deano (Dean Morrison) também ali no mar foi realmente surreal.

Eu ia todo dia para o colégio com eles, passávamos os finais de semana um na casa do outro pra surfar, competíamos juntos desde que éramos Groms (Moleques) e viajamos todo o mundo surfando e competindo até hoje. Eles sem dúvida são dois dos meus melhores amigos.

Depois que ganhei o título confesso que foi muito difícil focar naquela bateria contra o Deano (Dean Morrison), eu tentava manter minha mente concentrada na bateria, mas por dentro estava muito ansioso e doido pra sair correndo do mar e ir pra areaia abraçar minha esposa, mãe e amigos. Deano ganhou aquela bateria e torci muito para que ele conquistasse a etapa de Pipeline.

Joel teve a chance de ganhar a Tríplice Coroa Havaiana, que me deixou muito feliz. Mas meu desejo era que cada um de nós três pudesse levar pra casa uma vitória do Havaí.

Isso seria realmente incrível.

É uma antiga tradição quando um Australiano vence uma etapa ou um título Mundial os demais Aussies carregarem em seus ombros o campeão desde o mar até o pódio sem que o mesmo toque seus pés no chão. E você foi carregado por Parko e Deano...

Foi muito louco isso. Quando vi, Parko já estava ali na fila esperando pra me cumprimentar. Mas na hora que os dois me carregaram nos ombros pela praia foi muito especial e emocionante.

Realmente um dos momentos que nunca mais me esquecerei.

Quando ganhou o seu primeiro título Mundial em 2007 no Brasil, você havia dito que teve um bom pressentimento naquele dia quando acordou. Você teve algum sentimento parecido na manhã da vitória em 2009?

Não senti nada.

Em 2007 foi tudo diferente, eu estava mais confortável no ranking, por isso acho que a ansiedade não tomou conta de mim.

Mas em Pipeline quando acordei eu estava super nervoso e ainda por cima depois de acompanhar o desempenho de Parko nesta temporada havaiano, tive total certeza que a batalha final seria travada bem nas últimas baterias do evento.

Procurei esquecer o que Joel estava fazendo e concentrar na minha própria estratégia. Eu surfei antes de Parko no Round 3 e coloquei muita pressão sobre o adversário para ir confiante para a próxima bateria. Quando Joel entrou na água as ondas pararam e parecia que todo o universo conspirava a meu favor.

Você se lembrou do seu falecido irmão Sean?

Sean está sempre na minha lembrança e em meus pensamentos. Durante a etapa ele também estava lá comigo.

Nesses momentos grandiosos e difíceis momentos penso nele, e acho que isso sem dúvida me ajuda muito a relaxar.

O meu segundo título mundial com certeza o deixou muito orgulhoso.

No meio desse ano você ainda não tinha feito nenhuma final e Parko teve 3 vitórias das 5 primeiras etapas. Como conseguiu virar o jogo ?

Para ser honesto, quando Joel venceu em Jeffrey´s Bay eu pensei em levantar a bandeira branca.

De toda sorte, tivemos um longo período de intervalo entre as etapas após J´Bay.

Pude aproveitar esse tempo pra me concentrar e reorganizar minhas metas e objetivos.

Tem uma equipe de apoio incrível me ajudando e junto com eles consegui mudar o meu pensamento, comecei a acreditar que ganhando pelo menos duas etapas eu iria reconquistar a confiança e resgatar a oportunidade de brigar pelo título.

Decidi então competir no US OPEN, antes da etapa de Trestles, e cheguei até a final.

A partir desse momento senti que a hora da virada havia começado.

Após vencer Trestles você foi para a França e faturou também o caneco. Logo após fez sua terceira vitória no Rip Curl Pro Search nas ondas pesadas de Portugal.

Você sentiu que havia entrado num ritmo imbatível ?

Senti que estava num ótimo momento e posição favorável na perna européia: Eu tinha uma prancha mágica da DHD (Design Mick Fanning Pro) fruto de um longo trabalho com Darren, não tem jeito suas pranchas são sempre fora de série. Outros fatores favoráveis também foram o fato de não ter lesões e muita confiança dentro de mim, principalmente após a vitória em Trestles, na Califórnia.

Na Europa pude contar com a presença da minha esposa nas minhas duas vitórias, isso sem dúvida ajudou a deixar minha mente mais livre e concentrada para a tarefa massiva de superar Joel. Eu não tinha como estar mais preparado do que estava para aquela perna.

Depois de vencer na França eu tropecei em Mundaka, na Espanha, mas as condições estavam tão horríveis que esta derrota não me fez abalar. Tão logo terminou Mundaka já fui correndo para Portugal, não esperei por ninguém, joguei tudo no carro e saí fora.

Portugal estava épico, as ondas enormes, muito pesadas e tubulares.

Joel Parkison foi bem nesta etapa. Senão fosse o Bede Durbidge derrotá-lo na semifinal, sem dúvida complicaria ainda mais pra mim na última etapa, no Billabong Pipeline Masters.

Como está se sentindo com esta conquista?

Como foi o seu treinamento para o Título Mundial de 2009?

Eu faço um trabalho sério com a CHEK Austrália (empresa de reabilitação e treinamento de alta performance para atletas) há alguns anos, em 2009 não foi diferente.

Eu me adaptei muito bem com o programa de treinamento da CHEK e todos os meus treinadores e médicos já me conhecem há anos, isso facilita bastante na rápida identificação do que preciso melhorar fisicamente e psicologicamente.

Tive um forte treinamento com um dos maiores treinadores de alta performance da Red Bull este ano, onde consegui absorver muito de toda experiência e Know-how que ele tinha pra me oferecer.

O ano acabou e agora você vai voltar para casa com o segundo título mundial de surf, como será a comemoração dessa vitória?

Eu ficaria muito feliz de sentar e ficar olhando o meu troféu por um bom tempo. Lembrando de tudo e deixando todas as dificuldades que passei para trás.

Mas hoje é noite de festa no North Shore. Deano (Dean Morrison) vai se casar aqui no Havaí, por isso ficaremos para comemorar com ele. Depois, na Austrália, a festa continua.

Entrevista concedida no dia da conquista do seu segundo título Mundial, no Havaí, em dezembro de 2009, para a Red Bull (uma das empresas patrocinadoras do Mick Fanning).